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Festival “Gosto da Amazônia” chega a Belo Horizonte de 25 de março a 10 de abril

48 dos principais restaurantes da cidade apresentam pratos inéditos com o pirarucu selvagem e sustentável

 

Após Rio de Janeiro, São Paulo e Brasília, chegou a vez dos mineiros se renderem ao sabor do pirarucu selvagem. O Festival Gosto da Amazônia tem início em Belo Horizonte no dia 25 de março, com receitas inéditas tendo o peixe como principal ingrediente, em 48 dos melhores restaurantes da cidade. Até o dia 10 de abril, participam chefs como Léo Paixão, Flávio Trombino, Caio Soter, Bruna Martins, Djalma Victor, Caetano Sobrinho, Ilmar de Jesus, Naiara Faria, Cristóvão Laruça, Henrique Gilberto, Rodrigo Fonseca, Marise Rache, Juliana Duarte, Tereza Baltazar, Guilherme Melo, entre muitos outros.

 

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Pirarucu Antropofágico | Casa da Agnes | Foto Ricardo D’Angelo

Além de trazer uma novidade ao paladar do público pouco habituado ao pirarucu, nativo do Norte do Brasil, o festival tem a sustentabilidade como um forte pilar. Só é possível fornecer o peixe em Minas Gerais hoje em

consequência do trabalho de manejo sustentável, praticado no estado do Amazonas, que permitiu que ele não fosse extinto. A prática contribui para a conservação de mais de 11 milhões de hectares da Floresta, gerando renda e melhoria de qualidade de vida para as comunidades indígenas e ribeirinhas.

 

O chef Cristóvão Laruça, de nacionalidade portuguesa, nunca havia cozinhado com o pirarucu. “Sempre foi um ingrediente que eu queria trabalhar muito e nunca tive oportunidade antes. Pra mim é o peixe mais representativo do Brasil. Estou com muita expectativa e acho que os clientes vão gostar bastante porque é um produto extremamente nobre. E ainda poderei contar que estarão consumindo um produto sustentável ecologicamente, socialmente e economicamente. Isso é fantástico.”, conta.

 

Risoni caldoso de tucupi com pirarucu na brasa, abobrinha e ora-pro-nobis | Ninita | Foto: Ricardo D’Angelo

Na capital mineira, a proposta é proporcionar o encontro entre a gastronomia mineira, tão expressiva, à versatilidade do pirarucu, o maior peixe de escamas de água doce do mundo. Nas mãos talentosas de Léo Paixão, por exemplo, a receita leva risoni caldoso de tucupi com pirarucu na brasa, abobrinha e ora-pro-nobis. Já

Henrique Gilberto, apresenta lombo de pirarucu salgado com ragu de pé de porco e couve crocante. No Chico Dedê, o peixe é acompanhado de mil folhas de mandioca, coberto com bacon e vinagrete de feijão fradinho.

 

 

 

“Vai ser uma experiência maravilhosa para todos que estão participando, uma ótima oportunidade do público mineiro conhecer um produto brasileiro, de altíssima qualidade. Eu amei conhecer melhor o pirarucu, é muito saboroso, sem ter o toque de terra que alguns peixes têm. Pretendo colocar com frequência nas sugestões do menu do D’Artagnan”, afirma a chef Marise Rache.

 

A mistura de ingredientes tão marcantes da cozinha brasileira rendeu nomes curiosos aos pratos. Na Cozinha Santo Antônio foi batizado de “Mineirices para o pirarucu”, “Amazônia na matula” é o nome no Matula Cozinha. O Restaurante do Peixe vai servir o “Pirarucu de Minas”, enquanto o Xapuri coloca à mesa seu “Pirarucu Caipora”. No Dona Fulô, o “Pirarucu arretado” é a estrela do mês. No Roça Capital tem “Saltimboca de Pirarucu” e no Paladino será servido o “Peixe de Caboclo”.

 

PiraKurú | Kuru | Foto: Ricardo D’Angelo

“Estou participando com quatro restaurantes, cada um com sua temática, seu conceito. Então foi interessante desenvolver receitas diferentes para casas distintas e trazer alguns produtos da Amazônia também. Teremos jambu, aviú, cupuaçu, castanha do Pará… O processo criativo foi muito legal e extremamente desafiador, mas fiquei bem feliz com o resultado final e com certeza vou continuar trabalhando o pirarucu nos restaurantes”, completa Laruça.

 

 

 

A ideia é que as casas possam continuar a oferecer o peixe para além do festival. O distribuidor oficial do pirarucu na capital mineira e parceiro do evento é a Verde Acqua.

Nascida em 2020 e pioneira em aquaponia, é uma empresa produtora e fornecedora de microverdes, vegetais, hortaliças, pescados e biofertilizantes naturais.

 

O chef Zito Cavalcanti é um dos que vai oferecer o peixe, mesmo após o evento. “Eu espero que seja um festival que traga a luz do pirarucu para o sudeste. Além de ser um ingrediente incrível, unifica o consumo das preciosidades do Brasil. Eu trabalho com os ingredientes amazônicos desde que comecei na profissão e para mim é o que há de mais rico na gastronomia brasileira. E dessa vez terei mais acesso ao produto de qualidade. Os pratos continuarão nos cardápios dos meus dois restaurantes e novas possibilidades virão com certeza. Principalmente em um estado sem litoral, ter na mesa pescados com procedência é um presente para o consumidor”, conta.

 

 

“Os festivais têm a importância de comunicar os atributos do pirarucu sustentável. Permitem que as pessoas

Pirarucu na Brasa com Salada de Feijão Manteiguinha e Leite de Castanha do Pará| Turi | Foto: Ricardo D’Angelo

conheçam o peixe e possam compreender que estão consumindo um produto de sabor único, mas também tendo um consumo consciente. O evento torna conhecido o pirarucu, e o público está contribuindo tanto para a conservação dos recursos naturais da Amazônia, como também para melhorar a qualidade de vida daquelas pessoas que fazem esse produto acontecer”, destaca Adevaldo Dias, da Asproc (Associação dos Produtores Rurais de Caruari) e presidente do Memorial Chico Mendes.

 

O Gosto da Amazônia é fruto da cooperação internacional entre o governo do Brasil e dos EUA, executada pelo Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBIO) e Serviço Florestal dos EUA (USFS), com recursos da Agência para Desenvolvimento Internacional dos EUA (USAID) e participação da Operação Amazônia Nativa (OPAN), Instituto de Desenvolvimento Sustentável Mamirauá (IDSM), Memorial Chico Mendes (MCM), Associação dos Produtores Rurais de Carauari (ASPROC), Associação dos Comunitários que trabalham com Desenvolvimento Sustentável no Município de Jutaí (ACJ), Instituto Juruá, Instituto Internacional de Educação do Brasil (IEB) e Sindicato de Bares e Restaurantes do Rio de Janeiro (SINDRIO).

 

Fish Bacon Chips | Calóm Comidaria |Foto: Ricardo D’Angelo

 

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