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Luxo extremo

Por Leticia Rocha*, da Patagônia
Fotos divulgação

Na paisagem deslumbrante da Patagônia, lagos azuis e montanhas com picos nevados formam um cenário perfeito para relaxar e aproveitar os bons comes e bebes

O cenário exibe uma montanha suntuosa, daquelas em que a gente fica embasbacado ao olhar. Aliás, não consegue parar de olhar. Um visual ainda mais impressionante porque o gigante em questão está coberto de neve, de frente para o forte azul do Lago Sarmiento, cujo cume, ao cair da tarde, exibe os típicos tons dourados de quando o sol está começando a ir embora. Essa paisagem se descortina ao visitante assim que ele coloca os pés no hotel Tierra Patagonia, seja do lobby, do restaurante, do bar, do quarto – de qualquer lado. O projeto segue as modernas tendências da arquitetura hoteleira, com obras planas e de desenho contemporâneo, linhas retas e limpas, integrando-se com a natureza em zonas quase sem vizinhança. Só por essa beleza, valeria estar ali.

A viagem é demorada, mas vale a pena: no hotel Tierra Patagonia, a vista é sempre deslumbrante, com acomodações luxuosas e mimos para os hóspedes

Mas há mais a respeito desse local que o faz especial, a começar pela localização: uma das áreas mais remotas do planeta, a Patagônia. Chegar ali não é rápido. A cidade vizinha, Puerto Natales, está distante uma hora, de carro. Dali até o aeroporto mais próximo, em Punta Arenas, são mais quatro horas. O voo desde Santiago tarda mais 4h15. Longa jornada.

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Todo o deslocamento vale para estar de frente para o Parque Nacional Torres del Paine, na região de Magalhães, declarado Reserva da Biosfera pela Unesco, em 1978. Com 242.000 hectares, é o maior parque natural do sul da Patagônia chilena com lagos, rios, cascatas, glaciares e rica fauna.

Lá fora é gelado, mas nas dependências do hotel e spa não faltam opções para relaxar em ambientes aquecidos

Em meio a esse refúgio de diversão e contemplação da natureza, encontrar uma hospedagem como Tierra Patagonia prova que é passado o tempo em que embarcar para destinos tão particulares como esse seria coisa só de aventureiro. Viajante gourmet também vai se sentir bem (muito, aliás) por essas bandas. Regado a luxos, entre a boa mesa, os vinhos e a cultura local.

Ao partir para um dia de atividades – são mais de 30 opções de passeios –, a equipe de guias sai abastecida com o arsenal necessário para cada prática aventureira e também com mimos para os hóspedes. Na caminhada, no topo da montanha, pausa para uma barra de chocolate. No fim da trilha, cerveja – produzida nas redondezas com a água tida como a mais pura do mundo, que seduz até não cervejeiros, e biscoitos caseiros que matam a fome no meio da tarde.

No hotel Tierra Patagonia, a vista é sempre deslumbrante, com acomodações luxuosas e mimos para os hóspedes

Nas dependências do hotel, as diretrizes são explorar produtos da região, sobretudo os frescos e os orgânicos, e dar nuances gastronômicas a itens nem sempre valorizados. A calafate e a lúcuma, duas frutinhas abundantes por lá, aparecem na mesa em todas as refeições, em bolos e pães, em molhos para acompanhar massa ou carne, em sorvetes. Para o almoço e o jantar, sempre servidos à la carte e com menu criado para o dia, o destaque são os insumos das cercanias, como o congrio, a centolla e o cordeiro.

Em meio à boa gastronomia, passeios a lugares míticos estão incluídos nos roteiros da Cruceros Australis, com direito a degustação de insumos locais e muito vinho

O filhote de carneiro é, aliás, a estrela de um passeio sugerido pelo hotel ao Mirador del Payne, uma fazenda distante meia hora dali e que funciona também nos moldes de pousada e restaurante. Lá, resgatam o costume do assado patagônico, no qual os gaúchos tipicamente trajados recriam o antigo costume de preparar o cordeiro inteiro, na brasa, tal como os colonizadores da região. Na espera, os comensais se deliciam com especialidades da terra, como pão frito quentinho, vinagrete, mandioca cozida. No copo, um bom vinho chileno, pisco sour e até cerveja artesanal produzida na fazenda.

Cruceros Australis, com direito a degustação de insumos locais e muito vinho

Expedição mítica

A Patagônia não é só um destino aventureiro. É dos lugares míticos que nos remetem aos tempos de escola e aos livros de geografia. Ali estão a Terra do Fogo, o Estreito de Magalhães, o Canal Beagle, o Cabo Horn – conhecido como o Fim do Mundo e que por muitos anos foi uma importante rota de navegação entre os oceanos Pacífico e Atlântico. Nas aulas de ciências, a referência é Charles Darwin, o cientista britânico que fez por ali muitas de suas explorações e descobertas.

É em meio a todo esse universo que a Cruceros Australis propõe uma viagem que percorre as duas Patagônias, partindo de Punta Arenas, no Chile, até Ushuaia, na Argentina. O caminho inverso também acontece e vale lembrar que a região, por causa das condições climáticas bem particulares, é um destino que o viajante pode explorar somente de abril a setembro. São cinco dias nesse recanto extremo e isolado. Propositalmente, e para garantir ainda mais exclusividade, os barcos abrigam de 136 a 200 pessoas, e foram desenhados para navegar também em pequenos canais, onde os navios de cruzeiro mais tradicionais não chegam.

Nas dependências do hotel e spa não faltam opções para relaxar em ambientes aquecidos

Os que embarcam, além de navegar por esses pontos emblemáticos com fiordes, geleiras e pinguins, contemplam a gastronomia e os insumos da região. Lúcuma e calafale também aparecem por ali. Outras especialidades, como as empanadas, estão no menu, que muda a cada dia e ressalta também o tradicional cordeiro patagônico e pescados como congrio e salmão. A centolla também divide a atenção no cardápio, que, como todo cruzeiro internacional com passageiros dos quatro cantos do globo, oferece clássicas opções de carne e massa seca e fresca. Receitas como a lasanha à bolonhesa servem como uma espécie de comfort food, acolhendo o viajante em meio ao mar, às montanhas e à neve.

Um dos pontos altos da viagem, encarada como festa, é a chamada Avenida dos Glaciares. Um dia antes de a embarcação chegar ali, o momento é anunciado com ansiedade. Isso porque é quando o navio passa por uma série de geleiras, muito próximas umas das outras, e que são batizadas com nome de países. Alemanha, França, Itália e Holanda são algumas das nações homenageadas ao longo do percurso, e viram tema do cardápio dos comes e bebes de uma animada happy hour. Para completar o clima de aconchego, até nas atividades externas, em bosques, com garoa ou tempestades de neve, o conforto vem por meio de chocolate quente ou uísque – com gelo retirado na hora, da geleira. Um luxo a que aventureiros estão pouco acostumados.

Na paisagem deslumbrante da Patagônia, lagos azuis e montanhas com picos nevados formam um cenário perfeito para relaxar e aproveitar os bons comes e bebes

O que levar na mala?

As temperaturas na Patagônia sempre são baixas, ainda que boa parte dos dias seja de sol. Leve protetor solar e labial, jaqueta à prova d’água e de vento, gorro, óculos de sol, camisetas térmicas e também de malha, de mangas longas e curtas, luvas, calças e botas de trekking impermeáveis.

* A jornalista viajou a convite do Tierra Patagonia Hotel & Spa e pela Cruceros Australis

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